Foi bom enquanto durou. Parto, agora, para outras paragens, decidido a construir argumentos mais maduros, mediatos, pensados. Espero que tenham gostado da minha presença neste blogue, tanto quanto eu gostei... por vezes mais, por vezes menos.
Que melhor maneira de terminar o nosso eterno passar do que com um pedaço do infinito? Com a mais bela canção de sempre? Um bem haja para todos, encontramo-nos no infinito!
sábado, outubro 13, 2007
Fim
sexta-feira, outubro 12, 2007
Espaço
A extensão é extensa? O que é extenso ocupa extensão?
Se a extensão é extensa,
E se o que é extenso ocupa extensão,
A extensão ocupa extensão que ocupa extensão... ad infinitum.
Se a extensão não é extensa,
E se o que é extenso ocupa extensão,
O que é extenso ocupa o que não é extenso.
Mas como pode ser ocupado o que não é extenso?
Ou regredimos ao infinito,
Ou consideramos que o que é extenso ocupa o que não é extenso,
Ou que nada é extenso.
Mas consideremos que existem propriedades extensas.
Ou regredimos ao infinito,
Ou consideramos que o que é extenso ocupa o que não é extenso.
O que não é extenso não é físico e por isso não pode ser ocupado.
Ou regredimos ao infinito (infinitos espaços),
Ou nada é extenso (a extensão é uma ilusão).
Não sei por que me decida.
Se a extensão é extensa,
E se o que é extenso ocupa extensão,
A extensão ocupa extensão que ocupa extensão... ad infinitum.
Se a extensão não é extensa,
E se o que é extenso ocupa extensão,
O que é extenso ocupa o que não é extenso.
Mas como pode ser ocupado o que não é extenso?
Ou regredimos ao infinito,
Ou consideramos que o que é extenso ocupa o que não é extenso,
Ou que nada é extenso.
Mas consideremos que existem propriedades extensas.
Ou regredimos ao infinito,
Ou consideramos que o que é extenso ocupa o que não é extenso.
O que não é extenso não é físico e por isso não pode ser ocupado.
Ou regredimos ao infinito (infinitos espaços),
Ou nada é extenso (a extensão é uma ilusão).
Não sei por que me decida.
Este é um texto que começa com a substância e as propriedades, mas cujas partes principais são a sobre o Espaço e a frase sobre a Conjunção
Podemos eliminar o conceito de substância da seguinte forma:
Se algo existe, tem propriedades.
Se não tem propriedades, não existe.
A substância não tem propriedades.
A substância não existe.
E depois afirmar que só há propriedades:
Só existem substância ou propriedades.
A substância não existe.
Só existem propriedades.
Mas, depois, como existem colecções de propriedades, teríamos de encontrar uma propriedade que fosse a propriedade de receber propriedades ou a propriedade de ligar propriedades. O conceito de substância é "aquilo que recebe as propriedades". Podemos dizer que existe isso ou que existe a propriedade de ligar propriedades. Mas nada é mais do que as suas propriedades. Por isso, a substância seria a propriedade de receber propriedades. Depois, diríamos que ou há a propriedade de receber propriedades ou há a propriedade de ligar propriedades, ou ambas, embora baste uma delas. É diferente? É. Uma coisa é algo ligar outras, e outra coisa é algo receber, em si, outras.
Se há uma propriedade que as liga, até poderia ser uma propriedade das propriedades, a propriedade, que as propriedades têm, de se ligar entre si. Do outro modo, seria uma propriedade, mas não uma propriedade das propriedades. Sabemos que as propriedades têm a propriedade de se ligar entre si, formando por exemplo núcleos de átomos ou corpos humanos. Não sabemos se há algo que as recebe. Por isso, o máximo que podemos dizer é que há uma propriedade, que é uma propriedade das propriedades e que faz com que estas se liguem entre si. Quanto a existir a propriedade de receber as propriedades, fica em suspenso.
De qualquer dos modos, vamos ter de nos confrontar com o nada: se não existe a propriedade em que as propriedades existem, estas existem sobre o nada; se existe essa propriedade, ela existe sobre o nada. Estamos a considerar que as propriedades ocupam espaço e que ocupam um espaço limitado, por exemplo átomos ou corpos humanos. A menos que, no que se refere ao espaço, o considerássemos como infinito e, portanto, ocupando todo o espaço. Mas isso é considerar que há uma propriedade, o espaço, que ocupa outra propriedade, o vazio.
O vazio é, normalmente, considerado como espaço vazio, espaço em que não há matéria. Por isso é espaço. O espaço, propriamente dito, tem a propriedade de ser vazio. O espaço é a propriedade de ser vazio e de poder ser ocupado. Mas, ao ser vazio e poder ser ocupado, ele é alguma coisa, é algo que é geométrico. E, se é geométrico, é matemático. Resta saber se é mesmo matemático, ou se é através da matemática que o compreendemos. É que ele é geométrico e por isso é matemático. Mas, quando dizemos que ele é geométrico, e logo matemático, dizemos que é abstracto? É que parece ser físico. Mas só é físico se ocupa espaço. Será que o espaço ocupa espaço? Isto implica uma regressão ao infinito: o espaço ocupa espaço que ocupa espaço... Existiriam infinitos espaços.
Por outro lado, se o espaço fosse uma propriedade abstracta (matemática), não ocuparia espaço e, então, teríamos de perguntar: se o espaço não ocupa espaço e se eu estou no espaço, como posso ocupar espaço? Como posso estar eu, uma coisa física, em algo que não é físico? Como posso ocupar espaço, se o espaço não é extenso? A primeira e tentadora inclinação seria a de dizer: tu não ocupas espaço. Na verdade, és uma propriedade abstracta. Mas isso parece errado. E, então, teríamos de dizer que o espaço é extensão, é geométrico e que, então, é físico e matemático, físico e abstracto... Mas teríamos de perguntar: se é extensão, e se toda a extensão ocupa espaço, não é verdade que o espaço ocupa espaço? E, aí, voltaríamos de novo à regressão. Por isso, ou aceitamos a regressão e o espaço é físico, ou não aceitamos a regressão e o espaço é abstracto.
Entretanto, ocorreu-me qual a propriedade que liga as propriedades: a conjunção.
Se algo existe, tem propriedades.
Se não tem propriedades, não existe.
A substância não tem propriedades.
A substância não existe.
E depois afirmar que só há propriedades:
Só existem substância ou propriedades.
A substância não existe.
Só existem propriedades.
Mas, depois, como existem colecções de propriedades, teríamos de encontrar uma propriedade que fosse a propriedade de receber propriedades ou a propriedade de ligar propriedades. O conceito de substância é "aquilo que recebe as propriedades". Podemos dizer que existe isso ou que existe a propriedade de ligar propriedades. Mas nada é mais do que as suas propriedades. Por isso, a substância seria a propriedade de receber propriedades. Depois, diríamos que ou há a propriedade de receber propriedades ou há a propriedade de ligar propriedades, ou ambas, embora baste uma delas. É diferente? É. Uma coisa é algo ligar outras, e outra coisa é algo receber, em si, outras.
Se há uma propriedade que as liga, até poderia ser uma propriedade das propriedades, a propriedade, que as propriedades têm, de se ligar entre si. Do outro modo, seria uma propriedade, mas não uma propriedade das propriedades. Sabemos que as propriedades têm a propriedade de se ligar entre si, formando por exemplo núcleos de átomos ou corpos humanos. Não sabemos se há algo que as recebe. Por isso, o máximo que podemos dizer é que há uma propriedade, que é uma propriedade das propriedades e que faz com que estas se liguem entre si. Quanto a existir a propriedade de receber as propriedades, fica em suspenso.
De qualquer dos modos, vamos ter de nos confrontar com o nada: se não existe a propriedade em que as propriedades existem, estas existem sobre o nada; se existe essa propriedade, ela existe sobre o nada. Estamos a considerar que as propriedades ocupam espaço e que ocupam um espaço limitado, por exemplo átomos ou corpos humanos. A menos que, no que se refere ao espaço, o considerássemos como infinito e, portanto, ocupando todo o espaço. Mas isso é considerar que há uma propriedade, o espaço, que ocupa outra propriedade, o vazio.
O vazio é, normalmente, considerado como espaço vazio, espaço em que não há matéria. Por isso é espaço. O espaço, propriamente dito, tem a propriedade de ser vazio. O espaço é a propriedade de ser vazio e de poder ser ocupado. Mas, ao ser vazio e poder ser ocupado, ele é alguma coisa, é algo que é geométrico. E, se é geométrico, é matemático. Resta saber se é mesmo matemático, ou se é através da matemática que o compreendemos. É que ele é geométrico e por isso é matemático. Mas, quando dizemos que ele é geométrico, e logo matemático, dizemos que é abstracto? É que parece ser físico. Mas só é físico se ocupa espaço. Será que o espaço ocupa espaço? Isto implica uma regressão ao infinito: o espaço ocupa espaço que ocupa espaço... Existiriam infinitos espaços.
Por outro lado, se o espaço fosse uma propriedade abstracta (matemática), não ocuparia espaço e, então, teríamos de perguntar: se o espaço não ocupa espaço e se eu estou no espaço, como posso ocupar espaço? Como posso estar eu, uma coisa física, em algo que não é físico? Como posso ocupar espaço, se o espaço não é extenso? A primeira e tentadora inclinação seria a de dizer: tu não ocupas espaço. Na verdade, és uma propriedade abstracta. Mas isso parece errado. E, então, teríamos de dizer que o espaço é extensão, é geométrico e que, então, é físico e matemático, físico e abstracto... Mas teríamos de perguntar: se é extensão, e se toda a extensão ocupa espaço, não é verdade que o espaço ocupa espaço? E, aí, voltaríamos de novo à regressão. Por isso, ou aceitamos a regressão e o espaço é físico, ou não aceitamos a regressão e o espaço é abstracto.
Entretanto, ocorreu-me qual a propriedade que liga as propriedades: a conjunção.
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Propriedades,
Substância
O que eu penso agora acerca de ter outro cão quando o meu cão morrer é o seguinte: não quero ter outro cão, porque me sentiria mal ao amá-lo, pois isso far-me-ia sentir que o meu actual cão é substituível. Na verdade, acho mesmo que não conseguiria amar tanto outro cão como amo o meu. Ele não é substituível, é único! Isto aplica-se, provavelmente, à relação com as pessoas e à história do primeiro amor: não há amor como o primeiro. Eu creio que não há amor como o amor que temos aos nossos familiares, especialmente à nossa mãe mas, se calhar, isto não é generalizável a todas as pessoas. Certamente que, para pessoas com filhos, os filhos são as pessoas mais amáveis.
Quando passo mais tempo sozinho, sei melhor o que quero, e estudo e aplico-me mais para alcançar os meus objectivos: viver uma vida sagrada e de acordo com o que é melhor. Com os outros, tudo isso desaparece, e fica apenas o desejo de ser aceite e de ser superior. Não sei se isto acontece com muitas pessoas mas, se acontece, é prova de que não somos muito bons. De certa forma, eu preciso de me sentir em casa e, ao mesmo tempo, afastado de casa. Em casa, no coração. Afastado da casa física. Algo muito importante para mim e que de momento está longe é o meu cão. O meu cão é, provavelmente, dos seres mais importantes na minha vida. Sempre que estou longe dele, sejam cinco dias, cinco horas ou cinco minutos, regresso e ele faz uma festa. Deita-se na minha cama e não deixa ninguém aproximar-se se estou lá deitado. É um ser espectacular. Não é falso, como as pessoas, é verdadeiramente amigo, é fiel e leal, gosta de brincar, é agressivo sem pejos... tudo o que é, é verdadeiramente, ao contrário das pessoas, que são falsas. Quando o meu cão morrer, já tenho pensado, vou cremá-lo, porque assim estará sempre comigo e também porque pode ser o melhor para ele: é que se alguma consciência sobrevêm à morte, é melhor arder durante uns minutos do que ficar enterrado, a sufocar, e entregue aos bichos.
A que me refiro quando falo da experiência do belo? Dou exemplos das experiências por que passei e passo quando tenho esses sentimentos: olhar para as estrelas, caminhar sozinho pelos campos, contemplar um amanhecer ou um fim de tarde, olhar para as nuvens, pensar na imensidão do tempo, imaginar uma praia paradisíaca e deserta. A experiência ocorre preferencialmente sozinho ou, se em companhia, cada um na sua própria solidão. Por isso, depreendo também que é a experiência da solidão. Mas não é solidão, num outro sentido: é que é sentirmo-nos uma pequena parte da Sua imensidão, como se existíssemos algures perdidos nela.
Deus, Alma, Mundo, Experiência do Belo
Parece-me que os dois problemas são:
- Definir o eu (= alma);
- Definir a experiência subjectiva, particularmente a experiência conjunta do amor, belo e infinito (a mais bela experiência).
- Rever os conceitos de Deus e mundo.
- Possivelmente, eliminar o conceito de substância e introduzir o de propriedades ou de propriedades e condições necessárias e suficientes.
Publico aqui os conceitos, de Deus e mundo, que tinha alcançado:
Deus
Deus actualiza tudo o que actualiza (cria)
E não actualiza tudo (pode criar mais ou tem regras).
Deus é actualmente acto (age)
E actualmente potência (não esgota o acto).
Deus não actualiza o nada.
Tem de haver, potencialmente, uma substância que é potencialmente qualquer coisa (ex. pessoas, árvores, mesas, e talvez pensamentos...).
Há, potencialmente, uma substância que é potencialmente qualquer coisa.
Não há potência para lá da de Deus (anterior à Sua, pelo menos).
Deus actualiza a substância a partir da Sua potência.
Deus é potencialmente substância.
Deus é actualmente acto, actualmente potência e potencialmente substância.
Mundo
O Mundo é actualmente substância,
Porque os objectos físicos ou as sensações são substância actualizada.
A substância actualizada está em acto (ex. uma flor, uma nuvem...),
Mas não podemos dizer que o Mundo é actualmente acto,
Porque o acto pode ser Deus.
A substância actualizada é potencialmente substância,
Porque uma substância actualizada pode ser transformada noutra substância actualizada
(ex. fusão nuclear).
O Mundo é potencialmente substância.
Não podemos dizer que é actualmente potência (para agir),
Porque o acto pode ser Deus e logo também a potência.
O Mundo é actualmente e potencialmente substância.
- Definir o eu (= alma);
- Definir a experiência subjectiva, particularmente a experiência conjunta do amor, belo e infinito (a mais bela experiência).
- Rever os conceitos de Deus e mundo.
- Possivelmente, eliminar o conceito de substância e introduzir o de propriedades ou de propriedades e condições necessárias e suficientes.
Publico aqui os conceitos, de Deus e mundo, que tinha alcançado:
Deus
Deus actualiza tudo o que actualiza (cria)
E não actualiza tudo (pode criar mais ou tem regras).
Deus é actualmente acto (age)
E actualmente potência (não esgota o acto).
Deus não actualiza o nada.
Tem de haver, potencialmente, uma substância que é potencialmente qualquer coisa (ex. pessoas, árvores, mesas, e talvez pensamentos...).
Há, potencialmente, uma substância que é potencialmente qualquer coisa.
Não há potência para lá da de Deus (anterior à Sua, pelo menos).
Deus actualiza a substância a partir da Sua potência.
Deus é potencialmente substância.
Deus é actualmente acto, actualmente potência e potencialmente substância.
Mundo
O Mundo é actualmente substância,
Porque os objectos físicos ou as sensações são substância actualizada.
A substância actualizada está em acto (ex. uma flor, uma nuvem...),
Mas não podemos dizer que o Mundo é actualmente acto,
Porque o acto pode ser Deus.
A substância actualizada é potencialmente substância,
Porque uma substância actualizada pode ser transformada noutra substância actualizada
(ex. fusão nuclear).
O Mundo é potencialmente substância.
Não podemos dizer que é actualmente potência (para agir),
Porque o acto pode ser Deus e logo também a potência.
O Mundo é actualmente e potencialmente substância.
Sei que o meu discurso mudou bastante nos últimos dias. Vou fazer um breve inventário sobre o que tem acontecido ultimamente, no blogue:
fiz uma pausa de dois meses; voltei com uma afirmação acerca da beleza; virei-me para as causas; neguei a existência de Deus e vi que o argumento tinha uma falha; virei-me para a busca de Deus, alma e mundo, e consegui definir Deus e o mundo, mas falhei em definir a alma; virei-me para o eu e considerei-o como a substância; virei-me para a substância e eliminei-a; voltei-me para as propriedades, e eliminei-as; voltei-me para as condições necessárias e suficientes, e disse-as insuficientes para explicar a existência; disse a existência como o que está entre o vir a ser e o deixar de ser; voltei-me para a experiência subjectiva, a partir da experiência do amor, beleza ou infinito.
fiz uma pausa de dois meses; voltei com uma afirmação acerca da beleza; virei-me para as causas; neguei a existência de Deus e vi que o argumento tinha uma falha; virei-me para a busca de Deus, alma e mundo, e consegui definir Deus e o mundo, mas falhei em definir a alma; virei-me para o eu e considerei-o como a substância; virei-me para a substância e eliminei-a; voltei-me para as propriedades, e eliminei-as; voltei-me para as condições necessárias e suficientes, e disse-as insuficientes para explicar a existência; disse a existência como o que está entre o vir a ser e o deixar de ser; voltei-me para a experiência subjectiva, a partir da experiência do amor, beleza ou infinito.
Um diálogo acerca da objectividade, da subjectividade e do conhecimento
Não estou a dizer que a realidade não é objectivamente algo. Mas, no dia em que alguém disser que a realidade é objectivamente seja o que for, perguntar-se-á:
- Objectivamente, o que é a subjectividade?
- Objectivamente, é subjectividade.
- Então, a realidade não é objectivamente coisa nenhuma.
- A realidade é objectivamente uma coisa e subjectivamente outra.
- Que coisas?
- Objectivamente subjectiva e subjectivamente objectiva.
- Mas se é subjectivamente objectiva, não é subjectiva?
- É.
- E, se é objectivamente subjectiva, não é objectiva?
- Por certo, sim...
- Então, dizes que é objectiva e subjectiva?
- Exactamente.
- Mas, não és tu que compreendes a realidade?
- Sim, compreendo-a.
- E compreende-la para lá da tua subjectividade?
- Sim, compreendo que há objectividades.
- Não te perguntei se há objectividades, mas se és tu que a compreendes?
- Sim, eu e os outros que a analisam.
- E tu e os outros, saem de vocês mesmos porquanto a compreendem?
- Creio que não entendo a tua questão...
- Tudo bem. Reformulo-a: tu compreendes a realidade a partir de ti, certo?
- Certíssimo.
- Então, a realidade é realidade para ti?
- Obviamente.
- E para os outros, é realidade para eles?
- É.
- E, no seu todo, é realidade para todos?
- É realidade para todos.
- Mas cada um compreende a realidade a partir de si, certo?
- Certo.
- E pode compreendê-la a partir de outro?
- Que loucura! Naturalmente que não!
- Então, também não pode compreendê-la a partir de nenhum...
- Sabes que darias um bom comediante?
- Talvez, meu caro, talvez... Mas quero perguntar-te o seguinte: a realidade é realidade para ti, para os outros é para eles... Não é assim?
- É assim, é.
- E todos vocês são sujeitos?
- Sim, todos somos sujeitos.
- E diz-se que a realidade é subjectiva se é realidade para um sujeito?
- Diz-se.
- Então, para todos e cada um de vós, a realidade é subjectiva?
- Agora que o pões sob esse ponto de vista, penso que sim.
- Pensas? E esse pensar é objectivo ou subjectivo?
- Penso-o objectivamente.
- Mas, se o teu pensamento é pensamento para ti, que és sujeito, como pode ser assim?
- Tenho plena consciência de que é, objectivamente, pensamento para mim.
- É? Então sabes, por certo, o que é o pensamento?
- Sei, é o raciocínio.
- Interessante. E o que é o raciocínio?
- É a transformação de premissas em conclusões.
- Muito bem. E como obténs as premissas, as frases de que partes?
- Oh, que parvoíce. Naturalmente, na minha capacidade de pensar acerca do que vejo.
- Mas pensar não é transformar premissas em conclusões?
- Agora que o dizes, tenho de rever a minha posição.
- Muito bem. Qual é, então, a tua posição?
- Pensar é não só transformar premissas em conclusões mas, também, a capacidade de transformar em linguagem o que percepciono ou sinto.
- Então, a linguagem que usas, provém da tua experiência do mundo?
- Sim, provém. Mas onde queres chegar?
- Quero chegar ao seguinte: se o teu pensamento, que dizes ser objectivo, provém da tua experiência subjectiva do mundo, ele não pode ser objectivo, tal como o que é frio não pode ser transformado no que é quente, a menos que exista uma fonte de calor. E tu, diz-me, qual a tua fonte de calor?
- A minha fonte de calor? A certeza que tenho de que os meus pensamentos espelham perfeitamente a realidade.
- Certeza? Como? Se o que vês logo desaparece e se torna intangível... Todos os teus pensamentos são acerca de algo que já não existe, a menos que sejam pensamentos acerca da tua própria experiência e, ainda assim, não da tua experiência disto ou daquilo, mas acerca da própria experiência.
- De facto, parece-me que tens razão.
- Talvez, meu caro, talvez. Mas, diz-me: mesmo que o que vês não desaparecesse nunca, como terias a certeza de estar a ver o que estarias vendo, se podes, até, duvidar de estar a ver coisa alguma?
- Na verdade, não tenho a certeza. Mas posso dizer que tenho opinião.
- Claro, sem dúvida.
- E que comparo a minha opinião com as dos meus colegas e, por vezes, coincidem, por outras, não.
- Seria estranho se assim não fosse. Mas diz-me: todas as tuas opiniões são opiniões para ti e as deles opiniões para eles?
- Sim, são; mas, por vezes, as opiniões deles tornam-se minhas e as minhas, penso, deles.
- Trocam opiniões, portanto?
- E de que maneira!
- E consideram objectivas as opiniões que passam de uns para os outros?
- Sim, essas.
- Mas, se uma opinião passa de um sujeito para o outro, não se torna ainda mais subjectiva do que se fosse opinião de apenas um sujeito, tal como o frio que passa para o frio o torna mais frio do que era?
- Não, porque as opiniões não funcionam desse modo. Eu explico-te.
- Explica, porque estou desejoso de conhecer a tua explicação.
- Uma opinião, quando passa de um sujeito para outro, torna-se mais objectiva, ao retornar dessoutro sujeito ao primeiro.
- Muito bem. Então, torna-se objectiva ao passar para o terceiro sujeito.
- Sim, isso mesmo.
- Mas se adicionarmos duas vezes frio ao frio, ele não se torna triplamente frio em relação ao que era? É que, parece-me, não explicaste bem a tua posição.
- Estás a gozar comigo?
- Não, quero mesmo saber a tua posição, porque caminho às cegas neste tema.
- Então, eu mostro-te a minha posição: a objectividade surge da tripla subjectividade. Há algo, na subjectividade, que a transforma em objectividade quando a subjectividade é tripla. Percebeste, agora, a minha posição?
- Julgo que sim. Para ti, o frio transforma-se em calor quando lhe adicionamos uma quantidade em duas vezes superior o frio que ele é. E, por certo, tornar-se-á infinitamente calor quando lhe adicionamos uma quantidade infinita de frio.
- Estás a gozar comigo? Achas mesmo que a objectividade não existe?
- Não acho que existe, nem que não existe. Apenas, ponho em dúvida que exista.
- Pões? Mas, então, objectivamente, pões em dúvida a existência da objectividade?
- Objectivamente, não, porque é dúvida para mim, que sou sujeito, penso.
- Mas o que é que tu sabes, se nem sabes sequer se és sujeito?
- Pois é, revela-se estranha a minha condição, esta de nada saber.
- Nada sabes? Então sabes, ao menos, que não sabes e, por isso, sabes?
- Não, meu caro, quando te digo que é estranha, a minha condição, digo-te que é a de duvidar de tudo, abdicar de todas as certezas que durante tanto tempo ostentei.
- Duvidas de tudo? Então, duvidas que duvidas?
- Duvido que duvido, na verdade, se nem sei se existo! Como posso duvidar, se não existir?
- Mas se duvidas, existes! Não te é evidente?
- Foi, outrora; mas, agora, nem sei se outrora foi...
- Sabes, ao menos, que estás a falar comigo?
- Se nem sei se existimos...
- Objectivamente, o que é a subjectividade?
- Objectivamente, é subjectividade.
- Então, a realidade não é objectivamente coisa nenhuma.
- A realidade é objectivamente uma coisa e subjectivamente outra.
- Que coisas?
- Objectivamente subjectiva e subjectivamente objectiva.
- Mas se é subjectivamente objectiva, não é subjectiva?
- É.
- E, se é objectivamente subjectiva, não é objectiva?
- Por certo, sim...
- Então, dizes que é objectiva e subjectiva?
- Exactamente.
- Mas, não és tu que compreendes a realidade?
- Sim, compreendo-a.
- E compreende-la para lá da tua subjectividade?
- Sim, compreendo que há objectividades.
- Não te perguntei se há objectividades, mas se és tu que a compreendes?
- Sim, eu e os outros que a analisam.
- E tu e os outros, saem de vocês mesmos porquanto a compreendem?
- Creio que não entendo a tua questão...
- Tudo bem. Reformulo-a: tu compreendes a realidade a partir de ti, certo?
- Certíssimo.
- Então, a realidade é realidade para ti?
- Obviamente.
- E para os outros, é realidade para eles?
- É.
- E, no seu todo, é realidade para todos?
- É realidade para todos.
- Mas cada um compreende a realidade a partir de si, certo?
- Certo.
- E pode compreendê-la a partir de outro?
- Que loucura! Naturalmente que não!
- Então, também não pode compreendê-la a partir de nenhum...
- Sabes que darias um bom comediante?
- Talvez, meu caro, talvez... Mas quero perguntar-te o seguinte: a realidade é realidade para ti, para os outros é para eles... Não é assim?
- É assim, é.
- E todos vocês são sujeitos?
- Sim, todos somos sujeitos.
- E diz-se que a realidade é subjectiva se é realidade para um sujeito?
- Diz-se.
- Então, para todos e cada um de vós, a realidade é subjectiva?
- Agora que o pões sob esse ponto de vista, penso que sim.
- Pensas? E esse pensar é objectivo ou subjectivo?
- Penso-o objectivamente.
- Mas, se o teu pensamento é pensamento para ti, que és sujeito, como pode ser assim?
- Tenho plena consciência de que é, objectivamente, pensamento para mim.
- É? Então sabes, por certo, o que é o pensamento?
- Sei, é o raciocínio.
- Interessante. E o que é o raciocínio?
- É a transformação de premissas em conclusões.
- Muito bem. E como obténs as premissas, as frases de que partes?
- Oh, que parvoíce. Naturalmente, na minha capacidade de pensar acerca do que vejo.
- Mas pensar não é transformar premissas em conclusões?
- Agora que o dizes, tenho de rever a minha posição.
- Muito bem. Qual é, então, a tua posição?
- Pensar é não só transformar premissas em conclusões mas, também, a capacidade de transformar em linguagem o que percepciono ou sinto.
- Então, a linguagem que usas, provém da tua experiência do mundo?
- Sim, provém. Mas onde queres chegar?
- Quero chegar ao seguinte: se o teu pensamento, que dizes ser objectivo, provém da tua experiência subjectiva do mundo, ele não pode ser objectivo, tal como o que é frio não pode ser transformado no que é quente, a menos que exista uma fonte de calor. E tu, diz-me, qual a tua fonte de calor?
- A minha fonte de calor? A certeza que tenho de que os meus pensamentos espelham perfeitamente a realidade.
- Certeza? Como? Se o que vês logo desaparece e se torna intangível... Todos os teus pensamentos são acerca de algo que já não existe, a menos que sejam pensamentos acerca da tua própria experiência e, ainda assim, não da tua experiência disto ou daquilo, mas acerca da própria experiência.
- De facto, parece-me que tens razão.
- Talvez, meu caro, talvez. Mas, diz-me: mesmo que o que vês não desaparecesse nunca, como terias a certeza de estar a ver o que estarias vendo, se podes, até, duvidar de estar a ver coisa alguma?
- Na verdade, não tenho a certeza. Mas posso dizer que tenho opinião.
- Claro, sem dúvida.
- E que comparo a minha opinião com as dos meus colegas e, por vezes, coincidem, por outras, não.
- Seria estranho se assim não fosse. Mas diz-me: todas as tuas opiniões são opiniões para ti e as deles opiniões para eles?
- Sim, são; mas, por vezes, as opiniões deles tornam-se minhas e as minhas, penso, deles.
- Trocam opiniões, portanto?
- E de que maneira!
- E consideram objectivas as opiniões que passam de uns para os outros?
- Sim, essas.
- Mas, se uma opinião passa de um sujeito para o outro, não se torna ainda mais subjectiva do que se fosse opinião de apenas um sujeito, tal como o frio que passa para o frio o torna mais frio do que era?
- Não, porque as opiniões não funcionam desse modo. Eu explico-te.
- Explica, porque estou desejoso de conhecer a tua explicação.
- Uma opinião, quando passa de um sujeito para outro, torna-se mais objectiva, ao retornar dessoutro sujeito ao primeiro.
- Muito bem. Então, torna-se objectiva ao passar para o terceiro sujeito.
- Sim, isso mesmo.
- Mas se adicionarmos duas vezes frio ao frio, ele não se torna triplamente frio em relação ao que era? É que, parece-me, não explicaste bem a tua posição.
- Estás a gozar comigo?
- Não, quero mesmo saber a tua posição, porque caminho às cegas neste tema.
- Então, eu mostro-te a minha posição: a objectividade surge da tripla subjectividade. Há algo, na subjectividade, que a transforma em objectividade quando a subjectividade é tripla. Percebeste, agora, a minha posição?
- Julgo que sim. Para ti, o frio transforma-se em calor quando lhe adicionamos uma quantidade em duas vezes superior o frio que ele é. E, por certo, tornar-se-á infinitamente calor quando lhe adicionamos uma quantidade infinita de frio.
- Estás a gozar comigo? Achas mesmo que a objectividade não existe?
- Não acho que existe, nem que não existe. Apenas, ponho em dúvida que exista.
- Pões? Mas, então, objectivamente, pões em dúvida a existência da objectividade?
- Objectivamente, não, porque é dúvida para mim, que sou sujeito, penso.
- Mas o que é que tu sabes, se nem sabes sequer se és sujeito?
- Pois é, revela-se estranha a minha condição, esta de nada saber.
- Nada sabes? Então sabes, ao menos, que não sabes e, por isso, sabes?
- Não, meu caro, quando te digo que é estranha, a minha condição, digo-te que é a de duvidar de tudo, abdicar de todas as certezas que durante tanto tempo ostentei.
- Duvidas de tudo? Então, duvidas que duvidas?
- Duvido que duvido, na verdade, se nem sei se existo! Como posso duvidar, se não existir?
- Mas se duvidas, existes! Não te é evidente?
- Foi, outrora; mas, agora, nem sei se outrora foi...
- Sabes, ao menos, que estás a falar comigo?
- Se nem sei se existimos...
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conhecimento,
experiência,
objectividade,
subjectividade
Dizer-se que o amor é uma interacção molecular, ou a produção de tais e tais neurotransmissores é simplesmente ridículo. Porque a experiência amorosa é irredutível a isso.
A experiência - toda - é irredutível a algo que não seja experiência. Porque o que não é experiência retira-lhe o carácter de experiência e, por isso, retira-lhe o que ela é. Transforma-a noutra coisa. E ser outra coisa é ser diferente daquilo que é. E ser diferente daquilo que é, é contraditório. Reduzir a experiência a algo que não é experiência é contraditório e, por isso, não explica nada.
Por outro lado, aparece-nos tudo como experiência. Por isso, temos de explicar o que é a experiência e os seus diversos modos. Se reduzisse tudo a uma única coisa, seria à experiência. E, mais propriamente, à experiência subjectiva, porque tudo se dá, mesmo as objectividades, na experiência subjectiva. As leis que se me dão a conhecer são, necessariamente, para que as conheça, interpretadas por mim, isto é, na minha subjectividade.
E este facto até me pode levar a pensar que a subjectividade pode conter em si a objectividade, mas não o converso. E defendemos, anteriormente, que a categoria ontológica única deve conter em si todos os modos. Por isso, a subjectividade mostra-se mais como sendo essa categoria.
Na verdade, toda a minha compreensão do mundo é posição de mim em relação ao mundo.
A experiência - toda - é irredutível a algo que não seja experiência. Porque o que não é experiência retira-lhe o carácter de experiência e, por isso, retira-lhe o que ela é. Transforma-a noutra coisa. E ser outra coisa é ser diferente daquilo que é. E ser diferente daquilo que é, é contraditório. Reduzir a experiência a algo que não é experiência é contraditório e, por isso, não explica nada.
Por outro lado, aparece-nos tudo como experiência. Por isso, temos de explicar o que é a experiência e os seus diversos modos. Se reduzisse tudo a uma única coisa, seria à experiência. E, mais propriamente, à experiência subjectiva, porque tudo se dá, mesmo as objectividades, na experiência subjectiva. As leis que se me dão a conhecer são, necessariamente, para que as conheça, interpretadas por mim, isto é, na minha subjectividade.
E este facto até me pode levar a pensar que a subjectividade pode conter em si a objectividade, mas não o converso. E defendemos, anteriormente, que a categoria ontológica única deve conter em si todos os modos. Por isso, a subjectividade mostra-se mais como sendo essa categoria.
Na verdade, toda a minha compreensão do mundo é posição de mim em relação ao mundo.
Mesmo que tudo sobrevenha a partir da matéria, o que dela sobrevém não pode ser explicado exclusivamente a partir dela, precisamente porque não é a mesma coisa. É que explicar o que uma coisa é, não é explicar a sua causa, nem o que dela vem diferente dela, mas o que ela é. E isso, meus caros, é dado na experiência dessa coisa. Não o passado, não o futuro, mas o presente.
A busca de si
A busca de Deus é busca de si. A busca do mundo é busca de si. A busca do outro é busca de si. Toda a busca é busca de si, da sua identidade, do que é. Toda a busca é egoísta (e não o digo com sentido pejorativo).
Religião, Dialéctica e Sofrimento
Na verdade, consideramos geralmente a paz como sendo infinita, como identificando-se com o infinito, mas isso pode dever-se a desejarmos a paz infinita. Na verdade, tanto a guerra como a paz são entidades finitas, que ocorrem no tempo. Quando consideramos a paz infinita, estamos, penso, a considerar que, depois desta vida, descansaremos eternamente, estaremos eternamente em paz. Esse estar eternamente em paz pode ser identificado ou com a inconsciência ou com a consciência de uma pacificação, de uma mudança para um estado mais pacífico do que este, sem os seus obstáculos e problemas. Na verdade, o nosso pensamento sobre a morte é pensado a partir do que pensamos sobre a vida. A vida vista como guerra, luta, a morte como paz. A vida vista como paraíso ou inferno, a morte vista como paraíso ou inferno. No caso do Cristianismo, não há propriamente uma dialéctica vida-morte, mas uma dialéctica vida-vida e morte-morte, pois do bem em vida vem o bem na morte e do mal em vida vem o mal na morte. Há, portanto, uma dialéctica vida-vida e morte-morte, como uma dialéctica bem-mal. No caso das outras religiões também há uma dialéctica bem-mal, pois o bem é visto como a paz e o mal como a guerra, o bem como o amor, o mal como o ódio, o bem como a verdade, o mal como a falsidade. Já Platão dizia (ou Sócrates?) que todos os homens procuram o bem e que fazem o mal por não saberem o que é fazer o bem, enquanto Aristóteles fala na incontinência. Todas as pessoas procuram o bem para si mesmas, nenhuma pessoa quer sofrer eternamente (sim, esquecia-me talvez do mais importante: a dialéctica bem-mal é uma dialéctica sofrimento-não sofrimento, porque se fosse indiferente sofrer ou não sofrer, seria indiferente fazer o bem ou o mal, fazer bem ou fazer mal, e questionamo-nos mesmo sobre a existência destes sem a existência daqueles). Uma questão que podemos e devemos colocar, embora possamos não conseguir responder-lhe é: qual a origem do sofrimento? Uma questão que já me coloquei por várias vezes é: se não existisse sofrimento físico, existiria sofrimento mental? Uma vez, respondi que não. Na última vez, fiquei na dúvida. Muitas pessoas têm a ideia de que sem sofrimento físico não existiria sofrimento mental. Na verdade, se não existisse sofrimento físico, existiria alguma razão para sofrermos com a morte de alguém, ou para amarmos alguém? Não seríamos indiferentes a tudo? Haveria razão para alguma busca intelectual? Outra questão que podemos agora colocar é a seguinte: a busca intelectual é boa por si, ou é boa porquanto sofremos?
Infinito, Amor, Beleza, Paz - E os opostos necessários para a sua dialéctica
Tenho dito que, sempre que encontro o infinito, encontro o amor e a beleza. O infinito - ou a entidade - de que falo, é também a paz.
Se quiséssemos fazer a sua dialéctica, teríamos de lhe opôr o finito, o ódio, a fealdade, a guerra.
Se quiséssemos fazer a sua dialéctica, teríamos de lhe opôr o finito, o ódio, a fealdade, a guerra.
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