Por que é verdade que tudo muda?
Porque só existem propriedades físicas e propriedades mentais,
E estas mudam constantemente,
Estão sempre a mudar,
Por exemplo o corpo e as sensações.
Por que não é verdade que existem propriedades abstractas?
Porque:
Ou não têm poder causal e, logo, não existem,
Ou têm poder causal e são contraditórias e, logo, não existem,
Pois como pode algo não ser espaço-tempo, ser imutável,
E, ainda assim, mudar, alterando-se (pois causar implica alterar-se)?
É contraditório.
E, por isso, não é verdade que existem propriedades abstractas.
Por que é que o que não tem poder causal não existe?
(esta noção começa a ser trabalhada abaixo e a noção anterior de existência é abandonada)
Porque tudo o que existe é uma condição necessária ou suficiente para algo,
E, embora pudéssemos considerar as propriedades abstractas
Como condições necessárias, mas não suficientes, para algo,
Por exemplo para o raciocínio,
Não o fazemos, porque isso implicaria que elas sofressem mudança,
Enquanto estariam a ser pensadas,
Por exemplo que seriam divisíveis, decomponíveis em partes,
Primeiro a antecedente, depois a consequente, etc.,
E sofreriam mudança.
Mesmo que não tivessem, por si, poder causal,
Mas porquanto fossem apenas condições necessárias,
Seriam contraditórias.
E são contraditórias em ambos os casos,
Não existem.
Temos de rever a nossa concepção de existência,
Que foi definida como:
Existir é ter poder causal; algo existe se, e só se, tem poder causal.
A nova definição:
Existir é ser uma condição necessária ou suficiente para uma propriedade;
Algo existe se, e só se, é uma condição necessária ou suficiente para uma propriedade;
A existência é o conjunto das condições necessárias e suficientes para o conjunto seguinte de condições necessárias e sufientes.
Porquê esta nova definição?
Porque há propriedades que existem e que não são, por si, condições suficientes para a existência de outras propriedades, são apenas necessárias e, por si, não causam, mas existem, é evidente. Por exemplo, eu ir à praia pode não ser suficiente para dar um mergulho no mar: tem de estar Sol, a água a uma temperatura agradável...
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quinta-feira, outubro 11, 2007
Resumo
Resumo do que foi dito até agora desde que se eliminou o conceito de substância (acrescenta-se a afirmação marcada por *)
- Existir é ter poder causal;
- Algo existe se, e só se, tem poder causal;
- Não existe substância;
- Só existem propriedades e colecções de propriedades;
- As colecções de propriedades são ligadas pela propriedade da compresença;
- A compresença é uma propriedade das propriedades*;
- Não há propriedades abstractas;
- Todas as propriedades são físicas ou mentais ou ambas;
- É possível que existam propriedades básicas;
- Propriedades básicas são aquelas a partir das quais as outras sobrevêm;
- As propriedades não são, na realidade, iguais a si próprias;
- Há propriedades que só se conhecem na experiência;
- Não há propriedades eternas;
- O tempo é duração, não perduração;
- O tempo é a mudança;
- A eternidade não existe;
- Tudo muda (não há verdades eternas).
Nota: este resumo foi alterado de acordo com considerações que podem ser lidas no post seguinte.
- Existir é ter poder causal;
- Algo existe se, e só se, tem poder causal;
- Não existe substância;
- Só existem propriedades e colecções de propriedades;
- As colecções de propriedades são ligadas pela propriedade da compresença;
- A compresença é uma propriedade das propriedades*;
- Não há propriedades abstractas;
- Todas as propriedades são físicas ou mentais ou ambas;
- É possível que existam propriedades básicas;
- Propriedades básicas são aquelas a partir das quais as outras sobrevêm;
- As propriedades não são, na realidade, iguais a si próprias;
- Há propriedades que só se conhecem na experiência;
- Não há propriedades eternas;
- O tempo é duração, não perduração;
- O tempo é a mudança;
- A eternidade não existe;
- Tudo muda (não há verdades eternas).
Nota: este resumo foi alterado de acordo com considerações que podem ser lidas no post seguinte.
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O tempo é a eterna mudança e a única propriedade eterna
No post anterior, é dito que tudo muda. Isso vai contra o que foi antes dito; que eu sou uma mesma propriedade que, eternamente, ao longo da sua existência, vai sendo ligada a diferentes propriedades, de maneira que é um corpo humano, depois é um corpo humano em degradação, depois matéria orgânica compondo o solo ou cinzas, etc. Mas diz-se que, em todos esses casos, há algo que permanece e, portanto, nem tudo muda. Isso vai contra a nossa noção de tempo como constante mudança e da constante mudança como eterna mudança, eternidade. Por isso, ou dizemos que nem tudo muda e há eternidade, sendo que esta não pode, então, ser concebida como constante mudança, ou definimo-la como constante mudança e rejeitamos a ideia de que algo permanece. Estou mais inclinado para a primeira opção, pelo seguinte: antes de eu existir enquanto este corpo, a matéria que me viria a constituir já existia, sob uma outra forma; por exemplo nos meus pais, nos alimentos que eles ingeriram, etc. e, quando eu deixar de ser este corpo, a matéria que me constitui continuará a existir, por exemplo como matéria orgânica no solo que, por sua vez, eventualmente, alimentará plantas ou animais e que acabará por os constituir, etc. e, por isso, creio que aquilo que eu sou, independentemente de ser a pessoa que sou agora, é algo que existia muito antes de eu sequer existir como pessoa e que existirá depois de eu existir como pessoa. Por isso, creio que há algo em mim que não muda, que existe desde sempre e que existirá para sempre.
Deste modo, nem todas as propriedades mudam, a eternidade existe e não é a eterna mudança. Então, a eternidade pode ser considerada como a totalidade do tempo, o conjunto de todos os instantes e, por isso, como perduração, mas uma perduração que não acaba, que é incompleta, porque o tempo, sendo sem princípio nem fim, é incompleto, de modo que a eternidade nunca alcança o princípio nem o fim do tempo e este pode ser considerado, também, como perduração, porque não é um instante, nem o antes, nem o depois, mas todos eles e, por isso, é identificado com a eternidade. Identificando tempo e eternidade e não sendo esta a eterna ou constante mudança, o tempo também não é constante mudança. Mas isto apenas porque considerámos que há propriedades que não mudam. Mas há outras que, por sua vez, estão em constante mudança. Então, consideraríamos que o tempo é tanto umas como outras e que, por isso, é e não é mudança (o que não é contraditório, porque "mudança" não está a ser aplicada ao mesmo aspecto de uma mesma propriedade).
A menos que coloquemos a hipótese seguinte: as propriedades que não mudam estão fora do tempo, não são tempo. Mas podemos voltar a perguntar: se são propriedades que recebem propriedades, não mudam ao recebê-las? Aparentemente, sim. Poderíamos, então, colocar outra hipótese: ao invés de elas serem propriedades que não mudam e que recebem propriedades, poderia dar-se o caso de elas se irem transformando noutras propriedades: aquilo que fui antes de ser este corpo, já não é; o que sou, não será; o que serei, será então transformado. Há uma cadeia entre a causa e o efeito, mas o efeito não é a causa, embora sobrevenha dela.
Deste modo, podemos reconsiderar a noção de tempo e afirmar: o tempo é constante mudança. A eternidade é a totalidade do tempo e é incompleta. Ambos perduram, não duram. Não há propriedades eternas. Tudo muda. Mas, se tudo muda, o tempo também muda e o tempo foi conceptualizado como mudança e, por isso, mudar, para o tempo, significa não mudar.
Poderíamos considerar que tempo e eternidade são duas apresentações diferentes de uma mesma propriedade e que a primeira seria considerada como a mudança e a segunda como a imutabilidade. Mas essa não é a minha visão da eternidade. A minha visão da eternidade é: mudança sem princípio nem fim. E é essa também a minha visão do tempo - a eterna mudança. Por isso, ou considero que o tempo não existe, ou considero que nem tudo muda, isto é, que tudo muda, excepto o tempo em relação a si próprio. O tempo existe; lembro-me do passado. Tudo muda menos o tempo em relação a si próprio.
Deste modo, o tempo é eterna mudança, mas não completa mudança. Mas, mais uma vez, a noção de o tempo não ser completa mudança, confunde-me. Porque o entendo como constante e completa mudança, que tudo muda. O que posso, aqui, considerar, é o seguinte: o tempo não tem relação, por si, consigo mesmo. Nós relacionamo-lo e relacionamos todas as propriedades consigo mesmas, na célebre afirmação de que tudo é igual a si próprio. Mas tudo ser igual a si próprio é uma propriedade que existe nas mentes e é criada pelas mentes porque, na verdade, nas propriedades elas mesmas que não uma certa propriedade mental (a que constrói essa relação), essa igualdade não existe, até porque, para que existisse, o objecto teria de existir duas vezes (a=a), o que é impossível, porque algo que é indistinto é numericamente idêntico.
Por isso, o tempo é eterna (e completa) mudança. Por isso, é a única propriedade eterna.
Deste modo, nem todas as propriedades mudam, a eternidade existe e não é a eterna mudança. Então, a eternidade pode ser considerada como a totalidade do tempo, o conjunto de todos os instantes e, por isso, como perduração, mas uma perduração que não acaba, que é incompleta, porque o tempo, sendo sem princípio nem fim, é incompleto, de modo que a eternidade nunca alcança o princípio nem o fim do tempo e este pode ser considerado, também, como perduração, porque não é um instante, nem o antes, nem o depois, mas todos eles e, por isso, é identificado com a eternidade. Identificando tempo e eternidade e não sendo esta a eterna ou constante mudança, o tempo também não é constante mudança. Mas isto apenas porque considerámos que há propriedades que não mudam. Mas há outras que, por sua vez, estão em constante mudança. Então, consideraríamos que o tempo é tanto umas como outras e que, por isso, é e não é mudança (o que não é contraditório, porque "mudança" não está a ser aplicada ao mesmo aspecto de uma mesma propriedade).
A menos que coloquemos a hipótese seguinte: as propriedades que não mudam estão fora do tempo, não são tempo. Mas podemos voltar a perguntar: se são propriedades que recebem propriedades, não mudam ao recebê-las? Aparentemente, sim. Poderíamos, então, colocar outra hipótese: ao invés de elas serem propriedades que não mudam e que recebem propriedades, poderia dar-se o caso de elas se irem transformando noutras propriedades: aquilo que fui antes de ser este corpo, já não é; o que sou, não será; o que serei, será então transformado. Há uma cadeia entre a causa e o efeito, mas o efeito não é a causa, embora sobrevenha dela.
Deste modo, podemos reconsiderar a noção de tempo e afirmar: o tempo é constante mudança. A eternidade é a totalidade do tempo e é incompleta. Ambos perduram, não duram. Não há propriedades eternas. Tudo muda. Mas, se tudo muda, o tempo também muda e o tempo foi conceptualizado como mudança e, por isso, mudar, para o tempo, significa não mudar.
Poderíamos considerar que tempo e eternidade são duas apresentações diferentes de uma mesma propriedade e que a primeira seria considerada como a mudança e a segunda como a imutabilidade. Mas essa não é a minha visão da eternidade. A minha visão da eternidade é: mudança sem princípio nem fim. E é essa também a minha visão do tempo - a eterna mudança. Por isso, ou considero que o tempo não existe, ou considero que nem tudo muda, isto é, que tudo muda, excepto o tempo em relação a si próprio. O tempo existe; lembro-me do passado. Tudo muda menos o tempo em relação a si próprio.
Deste modo, o tempo é eterna mudança, mas não completa mudança. Mas, mais uma vez, a noção de o tempo não ser completa mudança, confunde-me. Porque o entendo como constante e completa mudança, que tudo muda. O que posso, aqui, considerar, é o seguinte: o tempo não tem relação, por si, consigo mesmo. Nós relacionamo-lo e relacionamos todas as propriedades consigo mesmas, na célebre afirmação de que tudo é igual a si próprio. Mas tudo ser igual a si próprio é uma propriedade que existe nas mentes e é criada pelas mentes porque, na verdade, nas propriedades elas mesmas que não uma certa propriedade mental (a que constrói essa relação), essa igualdade não existe, até porque, para que existisse, o objecto teria de existir duas vezes (a=a), o que é impossível, porque algo que é indistinto é numericamente idêntico.
Por isso, o tempo é eterna (e completa) mudança. Por isso, é a única propriedade eterna.
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