sábado, abril 14, 2007

Escrever

Hoje escrevi sobre o sentido da vida e outros assuntos. Não me apetece mais escrever sobre nada disso; apetece-me apenas escrever. Escrever, sobre o quê? Sobre nada; apetece-me apenas escrever, debitar palavras. Mas temos sempre de ter algum assunto sobre que escrever. A escrita pode funcionar apenas como um exercício de escrita, como uma forma de a melhorarmos, de atingirmos novos patamares. Eu escrevo, penso, devido a uma necessidade de comunicar, mas não sei se escreveria tanto se não existissem blogues. É que é tão fácil: escreve-se, publica-se e está acessível a todos. Não tenho nada de especial para contar - sou uma pessoa com as suas dores, mas sem nenhuma dor em particular. Parece-me que teria de inventar dores para escrever histórias. E quão difícil deve ser escrever uma história, com princípio, meio e fim, com personagens, enredo... gostava de escrever uma história, mas temo não ter imaginação suficiente para tal. E é também um pouco de preguiça - é menos custoso escrever estas crónicas da vida diária do que escrever uma história. No fundo estamos a escrever não uma mas várias histórias - se escrevermos crónicas da vida diária - ligadas entre si por um mesmo personagem, o autor ou um personagem fictício que este invente.
Mas gosto acima de tudo de escrever, seja o que for, sobre que for. Dá-me enorme gozo espraiar por aqui os meus gritos, os meus cânticos, o meu verbo e, também, dá-me gozo pensar que estou a ser lido - eu gosto de ser lido. Quem gosta de ser lido gosta de ser compreendido - mas será que me estou a expor ao ponto de terem de me compreender? Será que, por um acaso astrológico, terei alguém que me conhece no mundo real e que simultaneamente me lê e que me compreende através do blogue? Será que ponho muito de mim no blogue ou será que não ponho nada de mim, ou talvez apenas um pouco? Sem sombra de dúvida, este blogue é uma forma que encontrei para me exprimir. Portanto, através dele exprimo um pouco daquilo que sou, da pessoa que sou, com as suas particularidades, com os seus caprichos e manias... enfim, alguém com vontade de ser ouvido e que encontrou no blogging um caminho.
Mas quanta vontade tenho de ser ouvido? Será que quero que muita gente me leia? A meu ver, quantas mais pessoas me lerem, melhor, embora pareça não ser o caso - parece que pouca gente me lê. Assim, diria que este blogue é apenas parcialmente sucedido, já que representa um exercício de liberdade de expressão e de escrita, mas um exercício que não alcança muitas pessoas. Talvez por ter um vida demasiado banal, uma escrita sobre assuntos corriqueiros ou que interessem a poucas pessoas. Mas, principalmente, dá-me um enorme gozo escrevê-lo.

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