sábado, abril 21, 2007

Poesia

Estou em casa entediado. Passei o dia de ontem a fazer pesquisas de emprego na internet, coisa que não vou fazer hoje. Na verdade, não tenho nada para fazer. Podia apenas apreciar o momento, mas apetece-me escrever. E lá estou eu outra vez com a questão: escrever, sobre o quê? Não há nada de especial sobre o qual me apeteça escrever, e hoje, agora, não estou com apetência para poemas. Talvez à noite escreva um poema, mas duvido que ultrapasse os poemas que escrevi em dias anteriores. É necessária a inspiração para a poesia, não apenas trabalho árduo. Há dias disse que não podia passar o tempo todo a escrever poemas de amor e dor, porque esta era uma função emocionalmente muito exigente. É exigente não só emocional mas também intelectualmente. Exige um grande esforço de concentração, de alheamento do mundo exterior, e uma grande imaginação. O não alheamento do mundo exterior até pode ser uma hipótese, para inspiração - uma bela tarde ou uma tarde tempestuosa, as árvores vogando ao vento... mas no preciso momento em que se escreve é necessária muita concentração, para se atentar a todos os pormenores das palavras - a fonia de cada uma e de todas juntas e o ritmo. É uma tarefa árdua e complicada, a de escrever bons poemas. É óbvio que nem todos os poemas têm de rimar e de manter um ritmo certinho ao longo do poema, mas estes são mais difíceis de criar, a meu ver; e a verdade é que podem ser bem mais belos do que os que não têm ritmo certo nem rima, podem ser mais perfeitos, mas isto é apenas uma opinião. Há espaço para todos, para todo o tipo de poesia. Há momentos em que nos apetece escrever algo mais clássico, com ritmo certo e com rima, e momentos em que nos apetece escrever algo não tão clássico, por exemplo algo mais surrealista ou algo mais realista, embora estes sejam já estilos clássicos, mas não antigos, penso eu.

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